O TEMPO E O VENTO

O TEMPO E O VENTO

Um filme de Jayme Monjardim

Quarta semana de filmagens

Começa, hoje, a quarta semana de filmagens de O Tempo e o Vento, ainda em estâncias e arredores de Bagé. No roteiro de trabalhos, mais cenas no rancho dos Terra e na casa de Pedro Missioneiro, interpretado pelo argentino Martin Rodriguez. Sábado e domingo, foram rodadas cenas como aquela em que Ana Terra (Cléo Pires), desesperada, conta à mãe, Henriqueta (Cyria Coentro), que está grávida de Pedro.

 

Depois das cenas da fase de Ana Terra no rancho, a equipe partirá para a fase de filmagens na cidade cenográfica de Santa Fé, dentro do Parque do Gaúcho, em Bagé.

 

 

Fotos Marco Peres

 

 

 

 

 

 

 

Terceira semana de filmagens

 

FOTO: FERNANDO NIPPER

 

 

Bom dia,

nesta segunda-feira damos início à terceira semana de filmagens. No dia 26, começamos toda a função por Pelotas, onde ficamos até o dia 3 de abril. No dia 4, seguimos para Bagé, onde ficaremos até o dia 22 de maio, sem contar aí mudanças rotineiras de cronograma. Depois de filmarmos algumas cenas de Ana Terra e Pedro Missioneiro (Martin Rodriguez) na região de Aceguá e arredores de Bagé, partimos para as sequências do rancho da família Terra, protagonizadas por Ana (Cléo Pires), seu pai, Maneco (Luiz Paulo Vasconcelos), sua mãe, Henriqueta (Cyria Coentro), e seu irmão, Antonio (José Henrique Ligabue). Na versão cinematográfica não temos o outro irmão de Ana Terra.

 

Cenas desafiadoras estão por vir, como quando Ana é estuprada pelos castelhanos e sua casa, dizimada. É ali que Ana se apaixona por Pedro, mas também é próximo do rancho que o pai e o irmão de Ana o assassinam (cena já filmada). Desse amor nasce Pedro Terra, que, quando menino, é interpretado pelo canoense Eduardo Correa. O rancho de Ana Terra levou meses para ser construído e está pronto para receber a equipe em poucas horas.

Um jeito próprio de dirigir

 

FOTO: FEDERICO BONANI

 

Por Milena Fischer

 

Jayme Monjardim, em tantas entrevistas que tem concedido e conversas entre uma pausa e outra, tem dito que dirigir um filme é como ser maestro de uma orquestra. Fui assessora de imprensa da Orquestra Sinfônica de Porto Alegre durante dois anos e pude testemunhar, como leiga e fascinada pela música, o trabalho de alguns maestros. Entre eles o grande Isaac Karabtchevsky, respeitado mundialmente por sua afinada capacidade de levar uma orquestra a ler a sua interpretação de uma obra.

 

Hoje estou aqui testemunhando o trabalho de algumas pessoas que são sinônimo de excelência em cinema, tv, dramaturgia, seja ela em que plataforma for. Anda por aqui Affonso Beato, diretor de fotografia que surpreende o set diariamente com suas luzes não-óbvias, como afirmou Walter Salles. Mas ele não anda sozinho, como nada é feito solitariamente no cinema. Beato é cercado por uma equipe igualmente competente. Anda por aqui a querida Patrícia Carvalho-Oliveira, preparadora de elenco que desenvolveu uma técnica própria para que os atores recebam os personagens. Também há a Tiza Oliveira, diretora de arte com 40 anos de profissão, cercada por contra-regras, assistentes, estagiários, gente que revira o Estado todo em busca de objetos, referências, cores e formas para o filme. O Severo Luzardo, criador do figurino, a Marisa Amentta, maquiadora argentina com seu fiel escudeiro Sandro Valério, a Emi Sato,  cabeleireira, e sua equipe, enfim. O diretor assistente Federico Bonani, os assistente de direção Diego Müller, Zeca Britto e Seani Soares. A produtora de elenco Dani Fogliatto e seu assistente, o incansável Diego. O Alemão, que buscou as locações, e sua turma energética.

 

Anda por aqui uma porção de pessoas que, juntas, de olho na partitura que se chama roteiro, desenvolvem a música como ela passa na cabeça do diretor. E ela tem um tom que emociona.

 

No meio da polvorosa do set, maquinárias, correria, luzes, rebatedores, imprevistos, ele pede silêncio e se aproxima do ator. No seu tom de voz costumeiro, que é suave, Jayme troca palavras carionhosas com o elenco. Sabe onde quer chegar e pega pela mão uma equipe de mais de uma centena de pessoas. Mesmo quando debate, discute ou discorda, o diretor mantém o mesmo tom. Fazer um filme como O Tempo e o Vento é como reger uma sinfonia de Mahler. Exige muitos músicos, muito estudo, concentração e dedicação, mas também um profundo amor pelo que se está propondo fazer.

 

E o diretor está ciente do que sempre sonhou. Fazer um filme inesquecível para quem o assistir. Não um filme correto, adequado ou pertinente. Não uma mera transposição do livro à tela. Mas uma outra obra, a sua, cinematográfica e envolvente, à altura da história que Erico Verissimo nos deixou.

 

O maestro nem precisa gritar "ação" para que a equipe toda entenda a profundidade da música que ele ouve na cabeça.   

Cléo Pires emociona o set

O primeiro dia de filmagens em Bagé foi inesquecível. Partindo de Pelotas às 7h, a equipe de deslocou diretamente para o set do Galpão de Pedra, na RS-153. Um lugar de beleza estonteante, com imensas formações rochosas. Foi ali, durante a tarde, que Cléo Pires protagonizou uma das sequências mais difíceis do filme, ao lado do menino Eduardo Correa, que interpreta o filho de Ana Terra, Pedro.

 

Cléo filmou as cenas em que Ana Terra, ao perceber que os castelhanos se aproximam do rancho da família, esconde Pedro no mato. Em seguida, ela filmou a sequência em que, depois de os castelhanos terem dizimado sua família e a estuprado repetidas vezes, Ana Terra volta para buscar Pedro, sem ter a certeza de que o menino estaria vivo. A atriz se emocionou várias vezes durante as filmagens, levando a equipe a se emocionar, também. Um grande trabalho da atriz e de todos os envolvidos.

 

Suzana Pires, que vive Ana Terra mais velha, e Martín Rodriguez, que interpreta Pedro Missioneiro, pai do filho de Ana Terra, estiveram no set para testemunhar o trabalho de Cléo e se emocionaram junto com ela. Ao final da cena, Cléo abraçou Suzana longamente e agradeceu ao argentino Martín: "Gracias por estar aqui".

 

 

 

 

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